terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Senta aqui...

Você não precisa me trazer flores
Uma xícara de café, quem sabe?!
Ando meio perdida de mim
Senta aqui, vamos falar da eternidade...


É eterno esse seu sorriso desconcertante
Esse seu olhar que reflete o universo
Que me penetra profundamente na alma
Que inspira a criação dos meus versos...

Uma flor, uma dor, uma saudade...
Mas, flores pra quê?
Me dê um pouquinho de você
Senta aqui, vamos falar um pouco sobre esse medo...

Sabe aquele gelo que sentimos no coração?
O meu vive congelado na possibilidade
Possibilidade de não desfrutar do seu humor,
Possibilidade de não sentir mais sua adrenalina
Possibilidade da sua inexistência tão presente!

Então me faça um café,
Senta aqui, me conta uma história
Me faça dormir, me faça feliz,
Senta aqui, me faz um café, me faz um cafuné!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Quebrando a Porcelana...


  

      Olho-me no espelho, como se isso fosse mudar quem sou. Como se todos aqueles que viraram as costas fossem olhar de voltar e pedir que eu segurasse em sua mão. Por muitas vezes esperei por uma mão, e só tive a minha própria, suando de medo e trêmulas de tanta insegurança.
    Mas hoje eu sei quem sou, e de quem posso fingir ser. Bonecas de porcelana se racham se caem ao chão, mas eu nunca fui uma boneca de porcelana, eu nunca fui aquele rostinho meigo, nem olhos assombrados. Na verdade, eu nunca fui a garota frágil que perseguia seus sonhos mais íntimos.
    E eu não me importarei se você arder em revolta ao ler essas palavras, porque você nunca teve coragem de abraçar e tocar a boneca de porcelana, talvez eu parecesse surreal demais para você. Pois eu estou aqui agora, gritando quem realmente sou, com meus ensaguentados defeitos que você nunca enxergou. Estou jogando-os em sua cara, então veja-os. Você poderia ter me tocado, me beijado, me abraçado... Eu não iria quebrar. Mas você sonhou demais, teve medo demais e agora estou fora de seu alcance, eu aprendi a segurar minhas próprias mãos.  


Despejando palavras...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A Perda



     Nos olhos algo ainda indecifrável, a cada vez que ela subia o rosto para deixar o orvalho da noite tocá-la. Mas a cabeça quase sempre estava baixa. Sentia um peso sobre os ombros, pernas, braços, pescoço, garganta... Sentia o fardo da inocência vista por muitos, mas que ela condenava como profana e cruel.
     As mãos quentes continuavam lá, a tocá-la, a cuidar, e a proteger... Do masoquismo ácido e doentio. Foi o que ficou, só o que restou... A chama forte que inflama olhos, garganta, estômago e a culpa. A culpa, essa que é a personagem principal de toda dor e desespero.
     A culpa que escorre por dois pares de olhos queimando a falta, a perda. Ela se afogava na própria angústia e ele sempre lá, mergulhando para salvá-la a cada afogamento que ela tinha em si mesma.  Ele sabia que das duas almas inocente, a que mais sofria era a mais digna de consolo do que a que partira sem o primeiro suspiro de vida.
     Mas a ela isso não justificava, sentia-se responsável e agora, sente-se incapaz. A pequena que ela aguardava se foi, como o vento a dissipar pequenos grãos de areia. E ela não pode segurá-la e protegê-la, como deveria. E ele, que também sofria pela perda da pequenina, sofre também pela ausência e dor que a quase mãe agarrou sozinha, como se fosse um castigo, uma punição.
     E era o quase que incomodava a ela... Essa partícula, palavra esmagadora. Ela queria era ser, não quase ser. Ela queria sentir o pequeno corpinho quente que carregou por oito meses dentro de si, que contou historinhas, que acariciou, que ouviu o papai cantando pertinho... E hoje, tudo isso não passou de um quase, e ela se afoga nele como se isso fosse aliviar sua dor.


-Para não perder a vontade de escrever um pouco mais... 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Coisa


     Chame essa coisa, sim, ela mesma! Chame algo que me empurre ou que me salve, no drama doce e sólido dessa indecisão sobre ser gente. Chame essa coisa sem nome, sem sobrenome. Essa coisa de identidade desconhecida, de chama quente e gélida. Chame essa contradição tão cheia de certeza. Foi essa coragem que o meu medo me trouxe e que me levou à fatalidade de ser gente.
     Traz depressa, essa pluma esvoaçante lá do alto. Chama esse negócio misterioso que o meu peito invade e neutraliza. Pega a parte sólida dessa coisa e a traga mais pra perto, quero preencher esse vazio alojado aqui por dentro.  Eu tenho urgência de sentir, de senti-la, de tocar...
     Quero rasgar esses soluços interrompidos, rasgar papéis já sem sentido, morrer de novo e nascer sem mais feridas.  Não quero mais andar descalça por ruas vazias, observar matrizes já se esvaindo, ainda que eu queira, é preciso mudar a tinta. Esse opaco todo já me desgasta, esta funerária interna que é tão sombria, foi só avesso que se exacerba.
     É um apelo, e é tão sincero...
     Traz essa coisa que eu tanto quero; razão de rosas perfumadas pelos cantos. Sobrevivência nesse pântano indiscreto, de vultos soltos espalhados, de faces molhadas por tanto pranto. Chama esse negócio desconhecido de uma vez, que ele venha e traga um pouco de felicidade, porque viver com um vazio é só viver pela metade.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Detalhes


Infinitos pensamentos vagos
Algo está passando por dentro
Arrastando metades, me desfazendo.
Pensamentos intrusos e corrosivos.

Algo está passando por mim
E mergulhando dentro do meu ego
Transformando minhas substâncias
Roubando minha realidade.

Um oásis de alegria transbordando
Eu me sinto rio a desaguar
Estou sendo invadida
E essa benevolência malevolente
Está inviabilizando minha razão.

Desconstruindo-me e renovando-me
Abraço mudo que tudo diz
O concreto e abstrato se misturam
A fórmula exata de um coração.

Antes dois... Agora um.
Antes só... Agora não mais.
Antes vazio... Agora completo.
Antes metade... Agora inteiro.

Olhar distraído vagando...
Ruas chuvosas, um encontro.
Meu pensamento em você.
Os cinco sentidos que te sentem tão bem.

A vontade de você
A necessidade de você
A saudade de você
Como se você já me fosse eu.

Você que é realidade
Já me foi sonho
Você que é meu presente
Também será futuro!

Um gesto, um jeito, um carinho
São motivos...
Motivos incertos e incalculáveis.
Está na essência, na fragilidade.


Como numa dança lenta
Ou uma melodia suave.
Como um dia ensolarado
Ou tardes em tempestades.

Você que eu sinto tão bem
Que se infiltrou em meus poros
Abrigou-se dentro do meu peito
E contraiu todos os meus músculos
Com a sua verdade, tão minha!

Você que me desmancha por inteira
Que me prende em seus laços
Que constrói novos passos.
Me reinventa,me molda, me acalenta.

Você que é contradição
Faz guerra e traz paz.
Baixa a cabeça, mas não solta minha mão.
Que entristece de tanta alegria.

Você que me faz nociva
Que me guarda por dentro,
Me toca por fora, me sente.
Você que me envolve, me enlaça.

Ah... Você!
Você é pequenos detalhes
E eu amo cada particularidade sua
Que faz de mim e de você um NÓS.

Esta poesia eu fiz especialmente para meu amor Júnior Vaz, espero que vocês tenham gostado.
Aproveitando para convidá-los a visitar o blog Pedacinhos do Céu, cheios de poemas tão lindos e leves de se ler. 

sábado, 7 de janeiro de 2012

Eles

[Ela]
Vestida com a delicadeza das flores
Caminhava como se composse uma canção.
Os olhos eram ninhos de abelhas
Possuíam um mel transparente
E revelavam a doçura da alma.

[Ele]
Vestido com a aspereza das folhas
Caminhava como se deixasse um pouco de si.
Os olhos eram escuros como a noite
Possuíam a triste solidão
E revelavam a frieza da alma.

[Eles]
Buquê exótico, composição.

[Ela]
Feita de sonhos.
Um sorriso transparecendo paz
Um olhar repleto de calma
O mundo era mágico quando a essência
Espalhava-se ávida à sua volta.

[Ele]
Feito de realidade.
Lábios rigorosos riscavam a guerra interna
Um olhar sério e perfurante
O mundo era uma dor profunda
Ao emanar as lembranças à sua volta.



[Eles]
Uma terceira dimensão entre o mágico e o real.

[Ela]
Mar...
Ondas agitadas a dissolverem na areia.
Um vai e vem alegre e dinâmico.
Profunda em sentimentos
Infinita bondade a se dissipar.

[Ele]
Rio.
Parado nas desilusões de seu âmago.
Barrento... Esperando a próxima pedra a ser atirada.
Raso de emoções,
Limitado de si mesmo.

[Eles]
Oceano de águas doces e salgadas.
 
[Ela]
Palavras.
Um grito intenso para o mundo.
A expressão de ser quem é
A voz que soa suave e feroz.
O revelar-se, mostrar-se e transparecer-se.

[Ele]
Silêncio.
Um calar-se com a existência inexistente.
A inspeção de ser quem é.
Um vagar por dentro de si
O conter-se, repensar-se e esconder-se.

[Eles]
O Silêncio de um Grito.



-Retornando...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Um canto pra qualquer canto;

                                                                       Foto por Júnior Vaz.

Amor, um grande sentimento 
Que não é coisa de momento 
É ter argumento sem argumento 
É abandonar-se a si mesmo por um momento.
É nos abraçar-mos sentindo arrepio 
Coisa essa que dá até calafrio 
É não deixar o agora pra depois 
É fazer belas canções 
É querer proteger, enfrentar batalhões
Só para sempre te ter 
Poder amar você 
Sentir que está perto 
Mesmo em um canto, um lugar deserto 
É se conectar pelos pensamentos 
É aproveitar, segundos, minutos, todos os momentos
É querer acordar, e ao lado dá pessoa amada estar 
Dá um longo beijo, e com muito desejo se entregar.
_________________________________

Tantas perguntas fazemos sobre o amor! 
Quando ele aparece pega a gente de jeito.
Faz dar arrepio no peito 
Faz a gente esquecer do mundo
Esquecer da dor.
Por um sengundo.
___________________________________
Têm o amor apaixonado 
Têm o amor mal amado 
Têm o amor distraído
Têm o amor corrompido
Têm o amor de amigo
Têm o amor sem cupido 
Têm o amor esmolecido 
Têm o amor cheio de algria 
Amor esse que me contagia.
Têm o amor solitário
Que se prende no seu pranto 
Fica sozinho no canto 
Como um violão com notas tristes 
Como uma canção, que não mais existe.

___________________________________

Feliz eu sou
Porque sinto o teu amor. 
Um amor que me pegou de jeito 
Sem aviso ele chegou e bateu no peito
Nem entendi direito 
Quando me vi, não me achei
Quando me esqueci, te encontrei
Deus nos unil, em um momento, em um segundo 
Com o desejo de ver nós dois, felizes Juntos!
Para vivermos com sabedoria e paz 
Mostrando que somos capaz 
De ser Feliz neste mundo de incerteza e dor 
Mas que têm salvação! E a salvação é o amor.


(Autor: Júnior Vaz)

Versos escritos pelo meu amor, dedicados a mim. E eu, com imenso prazer, compartilho essas lindas palavras no meu cantinho. Com felicidade sem fim, agradeço a você, Júnior Vaz, por tudo de bom que você me proporciona! Te amo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Pedaços


     Folhas secas saem de mim agora, como se eu fosse uma árvore em pleno outono.
Meu melhor não foi suficiente para melhorar as coisas, e então me sinto fraca, esgotada de qualquer esperança. Só você podia mudar isso, mas você mudou a minha vida sem poder ficar nela, e eu fiquei perdida no meio dessa transição.
     Meus olhos reviram as velhas ruas de sempre, elas não pareciam tão tristes antes. O que você pode fazer depois de ser deixada? O que você poderia fazer para ser achada por si mesma depois de perder uma parte sua? E o que fazer com esses oceanos que existem dentro da gente e insistem em transbordar?
     Agora eu assisto meus pedaços se entregarem a solidão e não tenho forças para pensar em você sem destruir o que restou de mim. A vida não poderia me apresentar você e deixar que seus pedaços se juntassem aos meus. A vida não tinha o direito de me fazer feliz com o seu sorriso, nem de me sentir segura com o seu abraço. Merda, ela também não tinha o direito de me fazer sentir só sua, inteiramente sua se agora só restariam os meus pedaços ainda mais perfurados. Porque que a vida me aproxima tanto da morte de mim mesma?
     Porque você teve que partir depois de dar sentido a minha vida?
     Eu ainda me lembro das suas palavras me dizendo que seria eterno e que iríamos ser felizes juntos. Você iria segurar minha mão quando o mundo estivesse desabando e me abraçaria quando eu mesma estivesse em erupção. Você seria tudo o que eu precisasse e estaria sempre comigo quando tudo estivesse dando errado... E eu fiquei tão feliz porque finalmente eu teria alguém comigo.
      E isso parecia me salvar de mim mesma, dos meus absurdos. E depois que você salvou essa pobre garota da solidão, uma tempestade ainda maior começou e você não pôde ficar, porque alguém se achou no direito de tirar você de mim e saiu disparando tiros em você, matando a mim, causando explosões de dor. Meus gritos ainda ensurdecem a mim mesma todos os dias.
      Mas, enquanto meus pedaços arderem feito fogo eu irei me lembrar do que você dizia: “Vai ser pra sempre”, nem que eu morra um pouco mais em cada lembrança...

  - Pessoal, voltando depois de uma longaaaaa ausência! Eu estava seriamente pensando em fechar o blog,
   mas  depois me veio uma vontade louca de postar algo! Irei comentar nos blog's assim que eu achar um
   tempinho. Aproveitarei esse fim de semana para isso, uma saudade retada do cantinho e das postagens de
   todos! Abreijos.                                                                                                                                                    

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Só mais um filme...

   Foram agulhas afiadas que você enfiou no meu coração quando virou as costas enquanto cada lágrima escorria ácida pelo meu rosto e enquanto eu engolia essa acidez de volta para o estômago comprimido. E eu quis gritar pra que você voltasse, quis explodir meus pulmões em um apelo, mas eu estava fraca demais.
   Todos os meus órgãos estavam indefesos a essa doença que possui o seu nome. E enquanto você saia pela porta dos fundos eu me contorcia derrotada pelo chão. Um filme passava em minha cabeça, nossas lembranças eram veneno para minha dor. E por mais que o vento forte entrasse pela janela eriçando os meus pelos e fazendo meus queixos baterem. Por mais que o chão não fosse tão confortável ele parecia ser o melhor lugar.
   É tão ruim senti agulhadas no peito! Por que finais felizes só acontecem em filmes? Será que o amor só existe quando ensaiado e dissimulado por atores? Será que uma mera mortal como eu não poderia estar feliz com um mero mortal que nem você? Sinto-me caindo num poço largo e solipso. Um poço de dor.
   Minha alma está sangrando na sua partida. Meus olhos estão sempre fechados para o real, eu não quero acordar! Tudo deveria ser um pesadelo, e a sua ausência seria só no meu inconsciente. Mas isso seria só mais um filme...
   Você foi só um sonho que eu tive acordada, e enquanto o violão ganha acordes tristes minhas lágrimas silenciam os gritos que eu queria soltar para dizer que você foi único, que eu gostaria que contos de fadas fossem reais. E que meu coração fosse apenas à metade do seu.
   Mas isso seria só mais um filme...


"Pessoal, não se chateiem comigo, mas a minha presença na blogosfera vai diminuir ainda mais. Perdoem essa mera mortal que necessita de viver um pouquinho e de se submeter as mazelas da vida também. Abreijos!"

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Metade

   Não podia! Seria sempre metade de si mesma no espelho. Reflexo torto, inacabado. Havia se entregado demais as pessoas. Havia confiado nelas. Doou-se por inteira e agora é só metade. Metade medo...  Metade coragem. Metade alguém. Doou-se tanto ao ponto de ser roubada, não quiseram devolver a parte doada. Sequestraram sua confiança, seus sonhos. Deixaram com ela uma realidade. E ela é metade.
   Deixou-se ir...  Alma pouco a pouco sendo levada. Ela permitiu um espelho rachado, um coração defasado, um sonho desfeito. Fez-se metade. E chorava...  Lágrimas de partes roubadas. Infinitas perguntas acumuladas, hoje respondidas pela metade.  
   Desfeita. Perdeu-se em suas partes mal feitas. Num lago fundo da futilidade. Perdeu essência, trocou comandos, esqueceu verdades. Ela se fez dúvidas. E caminhou num labirinto de mentiras e vestiu-se delas. E se refez... Mesmo que só metade.
   Armou-se! Vestida de armadura de aço, espada na mão, coração bem guardado. Subiu num dragão e se fez fogo ardente em brasa quente. Misturou-se no âmago da dor. E fez, roubou, gritou. Agora rouba metades, mas as quer como um todo. Metades desfeitas são deficientes a elas mesmas. E como metade, se fez por inteira.

- Água salgada a rolar por montanhas,
 uma a uma,  até descer ácida na garganta!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Nós dois


Tranquei-me no seu cárcere e não saio!
Hipnotizei meus olhos no seu e não acordo!
Pare. Cale-se. Chega!
Não saio... Não saio! Não acordo... Não acordo!

Meus lábios de pirraça ama esse
Seu olhar de raiva.
Meus olhos de querer
Encantam-se por seus lábios teimosos.

[TEIMOSOS]
Nós dois!

Eu entrei no seu mundo sem pedir licença.
Bati o pé, gritei, corri e me escondi.
Você amou, mas mandou sair.

[TEIMOSOS]
Nós dois!

Virei às costas, chorei, saí.
Você gritou, esperneou, mandou voltar.
Eu andei, fugi, menti...
Você segurou, firmou, prendeu.

[TEIMOSOS]
Nós dois!

E nessa nossa teimosia,
Entre raiva, pirraça, amor e coração
Você me disse sem covardia:
Entrou sem pedir licença, não vai sair sem permissão!

[TEIMOSOS]
[PIRRAÇENTOS]
[RAIVOSOS]
[NAMORADOS]

Nós dois!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Recuso-te



Recuso-te.
Deixo-te nos lares malditos desse pesadelo mascarado.
Empurro-te de um penhasco e morrerei lentamente em sua queda maligna.
Você não sentirá os meus dedos, nem o amargo som de minhas palavras.

Recuso-te.
E você continua se vestindo de dor.
Enlouquecendo nessa insanidade...
Onde seus passos te levam para sua morte interna e irrefreável.
Seus braços e pernas doentes. Sua cabeça errante.
Seus olhos cegos; sua voz muda; ouvidos invadidos pelo iníquo.
E, essa normalidade nos assustando.

Recuso-te.
Descendo os degraus de uma escada imunda.
Para baixo! Para baixo!
Por que não sobe de volta?
Vamos! Arraste esses pés doentes para a cura.
Alguém nos espera no primeiro degrau.

Recuso-te.
Enquanto o medo se dissolve em rebeldia.
Enquanto o sonho se transforma em utopia.
Recuso-te, porque me desconstruo nos seus passos,
Em direção a um penhasco, no qual te espero.
Empurro-te, talvez com palavras falhas.

E, te aceito...
Caso sua queda te cause muita dor.
Meus olhos, talvez, recompensem a luz escondida dos seus.
Mas... Porque não sobe de volta?


Um breve aviso: Por justa causa estarei me ausentando por um período mais longo do que o de costume. Espero, sinceramente, não ter que fechar o blog, porque é algo que me faz bem, muito bem. Procurarei comentar nos blogs que costumo frequentar, sempre que eu puder. Mas, é em prol de outro sonho que deixo esse mais distante de mim um pouquinho. Grata pela compreensão de todos,  espero postar e comentar em breve!                                                                                                                                            

domingo, 18 de setembro de 2011

Eu não me acostumo


   Eu disse muitas vezes que somos capazes de nos acostumar com tudo: Com a pouca comida, com o frio, o sono... Mas, quer saber de uma? Eu não me acostumo!
   Eu não me costumo com a falta de atenção, de caráter, de amor. Não me acostumo com os sorrisos, abraços e palavras falsas, enganosas. Nem tampouco com atitudes indóceis, secas e cheias de veneno. Eu não posso me permitir a acostumar-me com esse mundo desumano, inverso, desajustado.
   Eu sei que somos humanos e que erramos, mas já passamos disso. Já nos acomodamos no erro e assim já ficou mais fácil magoar, esquecer, fugir. Já ficou fácil ignorar, esquecer do real sentido da vida. Qual o sentido da vida? Encontro várias respostas para essa pergunta tão simples, e é justamente esse o problema, pois só existe uma resposta fiel para ela.
   Eu não me acostumo com as distorções de humanidade, com todo esse processo invertido. Onde foi parar a essência de sermos humanos? Não me acostumo com todos esses espelhos rachados que refletem uma imagem em pedaços, imagens do que somos, mas não deveríamos ser... E não deveríamos simplesmente porque nos deixamos levar pela leviandade que já parece tão normal.
   Eu não me acostumo com o dinheiro esmagando sentimentos. Também não me acostumo com falsos sentimentos. Eu não sou obrigada a aceitar a covardia defasadora de seres desumanos. Covardia de quem abandona, vira as costas e se vai sem se preocupar com o coração do outro, tão pulsante e vivo quanto o seu próprio. Covardia de quem se esconde dentro de si mesmo tentando provar a todo custo o que não se é, sendo o que de mais cruel pode ser.
   Eu não quero me acostumar com o medo que me impede de dar passos contra tudo e contra todos. Eu não quero me acostumar com a insegurança de gritar, porque o silêncio descasca aos poucos a minha voz e muda eu nada sou. Eu também não quero me acostumar com a insegurança do silêncio, porque os gritos ensurdecem a mim mesma por vezes.
   Eu só queria ter o costume de ouvir sempre um bom dia dos desconhecidos que eu só posso conhecer quando humanos, de sentir um abraço amigo sempre quando a inquietação de ser gente me bater destrutiva.  Eu só quero me acostumar com os sorrisos meigos e despreocupados de pessoas felizes de verdade pelo simples motivo de acordarem e sentir o sol a iluminar, a chuva a lavar e a lua a clarear o céu escuro.
   Eu só queria ter o costume com a ordem natural dos fatos. A delicadeza e gentileza dos atos. Ao perfume das flores cobrindo toda e qualquer malevolência. Eu só quero me acostumar com o olhar infantil a penetrar-me e depositar em mim o desejo de ser mais: Mais eu mesma; mais humana; mais dócil; mais vigilante com o coração alheio; mais meiga; mais pelos os outros para me sentir felizmente completa. Eu só quero me acostumar com um mundo que eu sei que talvez nunca exista de verdade, mas é o mundo que eu carrego dentro de mim.
   Porque no fim eu sei que, o real sentido da vida estar Nele... Naquele que quando fez o mundo também queria não se acostumar como ele estar agora e ainda guarda a esperança de poder sentir e querer se acostumar com o Amor que já estar escasso em sua essência ÚNICA, um Amor diferente da maioria das coisas que eu vejo hoje, porque o amor que eu vejo é um amor esquecido, esmagado, distorcido...
   Eu quero me acostumar com um Amor que quando existente é paciente, é benigno, um amor que não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece. Não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera; não se ressente do mal. Eu quero me acostumar com um Amor que tudo sofre; tudo crê; tudo espera; tudo suporta...
   Parece utopia para você? Talvez isso aconteça porque você já se acostumou com tudo isso que eu não quero me acostumar, com o desamor mascarado... Mas, no fim, ainda resta a esperança de que a gente aprende a não querer se acostumar. Deus existe, “todos” acreditam nisso, mas são poucos os que se agarram na sua fé e fazem Dela mais do que um simples acomodar-se com as tendências mundiais. Acreditar é, acima de tudo, jamais desistir de si mesmo. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Águas profundas


Olhos velados em mãos trêmulas.
Dualidade de corpos isolados,
De um lado o medo encarava
E do outro ele não podia ser aceito;
Dentro de cada peito um coração pulsava.

Bochechas tingidas de sangue
Os olhos eram meigos e assustados,
Corpo paralisado no êxtase
Pelos fantasmas de um passado.

Ele encarava a moça.
Sentidos aguçados ao desejo
Ao amor de um coração danificado.
Queria daqueles lábios um beijo
Que a moça havia recusado.

Quem é ela?
A mente de um corpo desejoso perguntava.
Um enigma tão transparente,
Um corpo afundado em água.
Afogava-se, o destemido que mergulhava.

Ele a observava da superfície
Por dentro um coração não revelado.
Distintos eram o corpo e a alma
Da moça pela qual ele se apaixonara,
Indevidamente, por fora d’água.

Eis que então ele mergulha.
E afundando a encontra,
Num abraço mudo ele a acalma
Águas profundas, agora rasas.

Por anos ele encarou aqueles olhos,
Até que numa libertação do abstrato
A moça lhe concedeu o beijo dócil.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Descontento

   Será que está doendo? Ou eu só estou tentando confundir-me em possíveis laços?
   Será que você ainda sente o que eu finjo não sentir quando sua voz bate de repente no ambiente silencioso?
   E será que sua calma em minh’alma é só sussurro mudo? E que meus olhos inchados nada dizem quando você finge não vê-los?
   E como eu poderia gritar? Se, muda eu já digo coisas que nem deveria. Se, muda eu já sou o que em mim não poderia. Se disfarço, escondo, embaraço. Se num aperto o nó desdenha amassado. Porque os cadarços de um papel já não são mais de um sapato.
   E se a lua desmanchasse com um soluço enganchado na garganta? E o medo se esgotasse com as estrelas caindo sobre minha janela? Você ouviria o que calei? Talvez com o toque sem sentido - mesmo que temeroso- você sentisse que mesmo longe eu sempre continuei a pronunciar seu nome para cada estrela que se manteve sob o meu olhar intruso.
   E quem mudaria os meus dias? O seu silêncio que me gritou esse tempo todo o descer de minhas lágrimas escondidas? Os seus olhos disfarçando a única saída? Quem sabe seus braços cruzados de quem com a chave na mão nada pode fazer?
   E se os sons fonéticos mesmo sendo freados ao chegar à ponta da língua fossem adivinhados pelo seu ardor de medo? Isso mudaria os meus dias?
   E se eu gritasse? E se eu chorasse? E se eu te implorasse? O esconder viraria o impasse do que visível já se fez desgaste?
   Mas, e se...? Ah, esquece!
   O descontento de amar-te sempre foi o meu maior medo e... A minha maior coragem.