terça-feira, 9 de agosto de 2011

Toque

   Fios frágeis de uma corrente elétrica altamente destrutiva. Fósforo aceso... Fogo consumindo lenta e vorazmente cada espaço. Chama inquieta a perpassar cada linha nervosa em mim habitante. Um.
   Olhos invasores e abstratos a percorrer por dentro da profundidade inefável de minhas íris. Pele tremendo no susto esperado, no medo desejado, na reação. Gotas de água fria a escorrer no âmago. Um toque.
   Lábios tímidos tentando exibir sons de palavras que já se desmancharam inteiramente. Sangue pulsando, correndo, sumindo, corando em bochechas. Sangue escorrendo de veias anestesiadas. Um toque seu.
  Vibrações internas. Frio na barriga, com total adrenalina instantânea. Músculo vermelho a pulsar rápido e lento no mesmo milésimo de segundo. Às vezes sente-o parando, falta o ar. Morte em segundos, vida a gritar. Um toque seu em.
   Movimento distraído, já calculado. Sensações distintas dentro de um único instante. Cabe em mim cada fagulha acesa que o orvalho desmancha; mesmo impermeável. Contradições inexplicáveis. Corpo a gelar, alma a arder, sangue a pulsar. Um toque seu em mim. 



                                                                                                                 - Para aquele que já não mais se esconde!