segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ela é minha[s] quatro estações

   Eu nunca soube muita coisa sobre os passos que eu dava;
   Eu nunca vi o sol quando andava em sua direção. Nunca entendi nada sobre mim, acho que nem tentei. Eu só ia, e lá estava eu. Entre um galho seco e um deserto dentro de mim mesmo. Lá estava eu, mas por quê? Eu nem sei. E me amaram, diziam pelo menos. E me odiavam, mostraram por um tempo. Nem sei se fui eu mesmo, só sei que fui, talvez as sobras de um esquecimento...
   No outono me fiz folha, no verão eu virei bolha... Mas, em mim só restou brasa. Na primavera procurei flor, no inverno me vi só... Mas, em mim só sobrou pó. Onde estava o amor que tanto pensei sentir? Eu nem o conhecia! Deveria ser por isso, então, estava fácil demais.
   Eu a vi!
   Foi o que pensei, meu Deus, como um único ser pode fazer isso tudo? Ela me trouxe para mim, de uma forma angelical. Ela veio com mãos de flores, e eu descobri a primavera. Ora, a primavera era ela. Desse jeito, inteiro, um oásis dela transbordou em mim. Eu me senti cheio, mas ao mesmo tempo, inquestionavelmente me cabia muito dela.
   Nunca pensei que um único par de olhos fossem capazes de me dizer tanta coisa, quanta coisa! E eu segui seus passos, ela desejou que eu me libertasse, e eu não pensei duas vezes. As folhas secas, amareladas, foram ficando no caminho em dias de outono, e eu segui em frente, porque o outono era ela. E ela me era um céu inteiro que eu tinha na terra.
   Eu tinha pisado em muitas pedras por aí... Porque eu sorria enquanto sangrava? Talvez a resposta eu nunca  encontre, mas ela me mostrou alegria plena e estancou minhas feridas enquanto me apontou, no verão, a direção do sol. Então, segurei sua mão, porque o verão era ela. E, meu coração, só se aquecia com ela.
   Eu ainda me pergunto: Como pude ser tão leviano comigo? Como pude pisar em espinhos e achar que eram rosas? E eu tremi no arrependimento, estava fácil demais. Mas, no inverno, ela ainda me aquecia. Suas certezas, sua humildade, seu caráter, pareciam ser as únicas coisas que ela tinha... E ela as oferecia sem egoísmo algum. Ela nunca questionou meus erros, e quando me chamou pra chuva, eu fui, porque ela é inverno...
   Ela é ela o ano inteiro, eu sou dela por inteiro. Perco-me em seu abraço calmo, mergulho em seus carinhos, eu desenhei em mim seus traços. E foi amor, mesmo sem saber o que ele era. Foi amor, porque você foi meu verão, meu outono, meu inverno e primavera, enquanto o resto do mundo nunca me foi nada. Você foi minhas quatro estações. E você é meu deserto em plena tempestade. E eu me liberto, pra você, por mim, sem pergunta, sem resposta, sem mistério...