sábado, 23 de julho de 2011

Eu estava só

   Eu estava só, isso permanecia desde uns três anos atrás, quando eu escrevia no livro de minha vida os traumas que me perseguem até hoje. Eu estava só e a solidão já me era uma parte íntima e inseparável. Sozinha eu sou o meu eu destroçado, mas também, a minha contínua reconstrução.
   Sentada no velho banco de uma rua qualquer, o vento forte e gélido a perpassa por meu corpo antes tépido; vazio de si. Eu ainda continuava as minhas lamúrias já tão compreensivas e dadas por finalizadas. Não, eu não desisti, eu só me perdi dentro de escolhas que nunca fiz, dos caminhos que nunca andei, do medo que ainda persiste completo de aceitações desenfreadas.
   Eu estava só, e nada que eu fizesse mudaria isso, porque sozinha eu nada enxergo. Cega diante de meus próprios passos solipsos eu me levava por ruas que eu nunca sei o nome. Cega de mim mesma eu mal sabia onde estava, porque estava e se ali eu permaneceria. Mas, eu ainda estava só e isso, bem, isso já me parecia uma determinante completa de vazio permanente.
   Eu estava só e foi assim que ele me encontrou. Não, ele não é meu príncipe encantado, muito menos o homem perfeito. Ele é o homem que quando me viu triste me abraçou, quando me viu errada questionou, quando me viu torta me moldou. Ele é o homem que quando eu estava com medo me disse que o mundo é cruel, mas que ele estaria ali me mostrando que a crueldade mesmo nos atingindo estaríamos juntos para defender um ao outro.
   Ele é o homem que quando eu bati o pé ele brigou, mas quando entristeci se arrependeu e quando ele se arrependeu eu me arrependi. Ele é a pessoa que quase desistindo permaneceu; quase ficando partiu, mas que de saudade voltou. Ele me provou com atos o que as palavras faladas muitas vezes não cumpriram. E me provou também que o vazio é apenas uma determinante com tempo suficiente para aprender que sozinha eu me ajeito como eu, mas sou incompleta como nós.
   Eu estava só, mas ele chegou e como homem me mostrou que existe amor entre humanos que erram e esse, bem, esse também tem seus finais felizes. Mas o durante... O durante é de uma felicidade mútua e de uma abnegação individual. Príncipes não existem, mas homens de verdade, com integridade, mesmo que raros, são reais.
   Eu estava só, mas ele chegou.


Pessoas lindas, quero agradecer a todos vocês pelo carinho e pelas palavras aqui gritantes, mesmo com essa minha ausência involuntária. É de forma incansável que digo que vocês são muito importante para minha satisfação plena nesse exercício formidável que me é a escrita. E, mais uma vez, mil desculpas por toda essa minha vida corrida não me deixar tempo suficiente para dar conta do recado. Agradecendo desde já cada grito silencioso. Abreijos no coração de cada um!