segunda-feira, 11 de abril de 2011

Monólogo bipolar;


Meu nada querido Eu...

Escrevo-te para te pedir um favor, sei que você não gosta quando te pedem favores, mas tente cumprir esse em prol da nossa boa convivência. Sei que você é impaciente, então tentarei ser breve. A questão é que você, juntamente comigo, está fazendo uma bipolaridade confusa nesse nosso subjetivo.
Sim, não vou jogar toda a culpa em você e, por favor, não comece a me chamar de doce vencido. Sei que você me acha muito boazinha e que isso te incomoda, mas nem tudo é resolvido com palavras grossas e agressivas. Sei, às vezes é necessário, mas isso é você quem resolve.
Por favor, quando eu pedir calma, tente respirar antes de sair derramando um balde de água quente no outro indivíduo à nossa frente, por mais irritante que ele seja. Não é sempre que você deve tomar posse desse nosso corpo. E, por favor, deixe de ser tão egoísta, o mundo não gira só em torno de você.
E quanto à sua carta que recebi na semana passada, fique tranquila, vou tentar não chorar calada quando despejarem insultos à nossa pessoa, mas caso eu não consiga, por favor, assuma essa responsabilidade. Você também parece adormecer nas horas que mais preciso de ti.
E sim, eu gosto de ser assim, carinhosa, compreensiva e calma. Mas, eu ainda me pergunto como você consegue ser tão agitada, expressiva e agressiva. Não, eu não estou reclamando. Isso nos salva às vezes.
E antes que eu me esqueça, pare de ficar enviando mensagens no seu horário noturno de assumir, sou eu quem vai ter que arcar com elas durante o dia e você sabe que eu não sou assim tão cara-de-pau como você. E apesar dos pesares, sim, eu não consigo me imaginar sem a sua metade. Você é o lado B mais cheio de defeitos que um lado A pode ter, mas mesmo assim, dependo de você.

De seu nada querido eu.

Pauta para o Bloínquês- 38ª Edição Cartas.