sábado, 30 de abril de 2011

Ele




   Seus olhos são pretos e ele me vê. Na rua, na sua, no galpão. São frios, fios de solidão, mas entram e cercam os meus tão castanhos.
   Suas mãos são quentes e firmam-se em meus braços. Toca de leve minha pele tão fria. Aperta, acalma, enlouquece em fúria. Suas mãos causam uma ponte entre o ácido e o doce. Aquece o corpo, congela o coração, seduz a alma.
   Sua boca é sedutora. Pronuncia, induze. Sua boca fala e ela me chama. Suas palavras me chegam  como gotas de chuva a preencher o chão. Um chão solitário. E sua boca me acalma.
   Seu abraço é fogo. Aquece carinhoso e queima ardente. Envolve. Protege-me de meus anseios e loucuras.
   O seu todo ilude, golpeia. Carrega-me e devolve-me a todo instante. Ele me olha, me toca, me beija e me abraça. Ele me esquece, provoca meus maiores vazios e depois os completa. Ele é contradição, eu sou metade.