domingo, 6 de março de 2011

Pretérito Imperfeito

Mais do que realmente fiz,
Seus olhos disseram
Os passos que nunca dei.
Caminhos tortos, incertos...
Onde estão seus olhos agora?

Busquei por minhas palavras
Aquelas que você levou;
Troquei de novo meu medo:
Esgotou-se o estoque.
Cadê seu sorriso? Desfeito?

Procuro ainda decodificá-los
Por esse labirinto estranho.
São só sentimentos, meu amor,
E você os levou longe,
Nesse pretérito imperfeito.

Fascinava-me, mesmo assim,
Essa sua [im]perfeição,
Que eu julgava tão perfeita.
Esquecer-me de seus beijos.
Está fora de cogitação


Onde estão?
Talvez longe demais, sem alcance;
Em outros rivais lábios,
Molhados, sentindo o tocar de sua face...
Onde caminham seus passos?

 Eu poderia seguir suas pegadas
Em qualquer caminho por onde passares,
E bem ao longe perceber
Que toda perfeição procurada
Estava em seu imperfeito e tão desejado ser.


-Pauta para o Bloínquês, 29ª Edição Poemas.