terça-feira, 8 de março de 2011

Carnaval?


Carnaval, segundo o dicionário Aurélio, são três dias precedentes à quarta-feira de cinzas, dedicados a várias sortes de diversões, folias, folguedos. Na televisão uma explosão de alegrias, purpurina, samba no pé.
Os comerciais de cerveja são mais frequentes. Mulheres praticamente peladas aparecem sambando com um sorriso esplêndido na face. Saltos, pandeiros, fantasias. Escolas de samba com seus carros alegóricos gigantes ganham a atenção da arquibancada que ali vibra.
Mas onde estará o resto da plateia? Em casa vibrando na televisão de 14 polegadas? Descansando da batalha diária para sustentar a família? Ou quem sabe ainda seus telespectadores não estejam deitados sobre as calçadas, assistindo de camarote toda essa folia?
Alguém faz ideia de quanto custa a fantasia de uma baiana? Quantas baianas a mais têm numa única escola de samba? Deixando de lado as madrinhas, porta-bandeiras, rainhas e todo o resto que ali “samba”.
São três dias. Três dias em que a subjetividade de uma minoria está acima da fome de muitos. Três dias de festa, samba, “diversão”. E o resto de uma vida que poderia ser mudada na miséria.
Quanto dinheiro não é gasto em apenas três dias? Quantas vidas não poderiam ser mudadas com o mesmo? Como sambam e se divertem sabendo que o resto de uma população está “sambando” todos os dias nas esquinas em busca do que comer?
Sabe onde vão parar todos aqueles carros alegóricos que custaram milhões de reais para serem confeccionados e desfilarem por três dias? No lixo. Quantas pessoas não poderiam ter sido tiradas dele?
Carnaval para mim está muito longe de ser divertido. Talvez eu até descanse, mas conseguem descansar também aqueles que no solipsismo diário sentem na barriga o vazio que aqueles milhões poderiam preencher?
Meus olhos assistem indignados a esse teatro carnavalesco. O teatro vivido por personagens sofridos, excluídos e esquecidos. O teatro da desigualdade!


Pauta para o Bloínquês- 50ª Edição Opinativa.



Só esclarecendo que não foi minha intenção ofender ninguém que samba, curte e se diverte no carnaval. É só minha opinião e o que meu coração sente. Talvez vocês discordem e tem todo o direito, cada qual pensa de uma forma. Essa é a minha forma de pensar. Caso a sua seja diferente, é só escrever a sua opinião e participar da Edição Opinativa, haha. Agradecendo desde já a compreensão de todos!