segunda-feira, 28 de março de 2011

Palavras também choram

Jogava-as no papel
Incertas, inacabadas
Escrevia-as tortas
Em linhas indesejadas.

Aquele líquido quente
Descia por face infiel
Não doía mais que as palavras
Essas também sentiam o fel.

Mãos culpadas sobre o papel
Caneta indócil escrevia
As lágrimas que da tinta saíam
Para as palavras
Com tamanha covardia.

Choravam as letras
Essas manipuladas
Por mente doentia
Por dona fragilizada.

Doía nela que sofria
Mas, doía mais nas palavras
Tamanha covardia expressada
Que elas carregam no papel, solitárias
Sentindo em todas as letras, cada lágrima.

Pauta para o Bloínquês- 31ª Edição Poemas.
Quem disse que as palavras não choram?