quinta-feira, 24 de março de 2011

A canção das estrelas caídas

    Não enxergo mais sua face querida. Aquela que estava em meu peito todo início de dia, aconchegando-se e chegando mais perto. Apertando-se contra ele como se aquele fosse seu refúgio mais seguro. Deslizando a mão suave, como se ela pudesse traduzir aquele momento tão indescritível. Acho que você ouvia como pulsava forte meu coração naquele instante, não pulsa mais assim hoje.
    Eu te puxava mais pra perto, e eu te sentia por dentro. Não éramos um porque estávamos juntos, éramos um porque os dois corações batiam no mesmo ritmo e dançavam a mesma música e mesmo estando em peitos separados, colidiram-se quando a beijei. E a beijei como se as estrelas fossem cair naquele instante. E caíram.
    À noite andávamos de mãos dadas e parecia que ela tinha sido moldada em nossa história, era ela que compunha aquela canção que cantávamos. Hoje ela se tornou um solo. E seus olhos me contavam histórias, e eu me entregava a eles. Hoje canto essa música para que as estrelas que caíram à leve de volta para você. E as cordas de meu violão desafinaram, e sua doce voz escapa incerta por meu inconsciente.
    Ainda espero a sua resposta. Aquela que você levou junto com meu coração. Querida, você sabe como é difícil pra mim escrever essas palavras, mas elas irão compor a canção que escrevo para você nessa noite silenciosa que nunca deixou de ser nossa. Talvez eu sonhe com a sua resposta, talvez eu já a tenha escutado antes dela ser pronunciada, porque suas palavras moldam meu coração, agora a parede dele está descascando e você não estará mais aqui para dar uma nova mão de tinta.
    Ainda sinto o seu cheiro naquela cama em que sua face ainda pertencia ao meu peito, hoje ele guarda um coração pesado, que canta para você toda noite e ele sabe que você escuta a canção das estrelas caídas. A música querida, essa me consola, porque é você que eu vejo quando fecho os olhos e a deixo deslizar pelas ruas vazias. Porque eu a sinto quando essas palavras chegam a mim silenciosas.  Partem de dentro de mim e voltam como um eco, distante.
    Suas mãos meu amor, essas que me faziam sentir o sol arder por dentro e queimava quando a minha pele tremia de amor. Se eu pudesse traçar um rumo em seu corpo que me levasse até onde sua alma fosse, eu traçaria. Eu poderia seguir suas pegadas, mas essas foram apagadas pelo cruel destino. E hoje só me restou essa canção.
    Anjos do bem não caem do céu, mas querida, você era um. E talvez seja por isso que você voltou para ele, anjos não podem ficar longe de sua casa por tanto tempo. E eles não podem pertencer a um mero mortal, pois é isso que eu sou, um mortal que canta a sua imortalidade.
    Talvez se eu a tivesse segurado com mais força, se meu corpo ainda abraçasse o seu nessa manhã, se seus lábios ainda tremessem desejosos nos meus. Eu ouviria sua resposta a luz da lua que pertencia àquela noite, eu ouviria o ‘sim’ que mudaria a letra dessa canção. Talvez se você estivesse na nossa capela àquela noite e não no seu carro em direção ao que hoje permanece entre nossos corpos, eu ainda sentisse sua face em meu peito e sentisse meu coração pulsar forte ao senti-la.  

Pauta para o Bloínquês-  Edição Musical 

-Para mim, foi mais como compor uma canção! Desejo que vocês a tenha escutado com a alma.