segunda-feira, 28 de março de 2011

Fred




Fred conhece todos os meus defeitos. E, tenho para mim que quando uma pessoa conhece nossos defeitos, ela realmente sabe tudo sobre a gente. Não só nos conhece como nos reconhece também. Em meio a uma multidão, lá está Fred acenando e gritando meu nome.
Fred não é um tipo de amigo qualquer. Também não posso chamá-lo de meu melhor amigo, muito menos de namorado. A verdade é que eu nunca achei uma categoria a qual colocar o Fred. Na lista de contatos de meu celular tive que criar um grupo unicamente para ele, qual o nome desse grupo? Alguém.
Sim, um alguém. Um alguém que talvez eu nunca descubra uma palavra para identificá-lo em minha vida. Um alguém do qual o nome parece já ter nascido na memória. Um alguém que eu conheço o cheiro, os gostos, os não-gostos, as angústias, as felicidades, os medos, os defeitos. Fred possui muitas qualidades, mas uma em especial fez com que ele ficasse tão difícil de ser colocado em um grupo de contatos qualquer: Fred nunca desistiu de mim.
Nem quando fugi de casa. Nem quando o bati e despedacei seu coração. Nem quando eu comecei a usar drogas. - Aqui todos já haviam me abandonado, menos Fred- Nem quando tentei roubar uma loja. Aquela não era eu, mas só o Fred se lembrou disso. E foi exatamente ele que me convenceu a não cometer essa loucura. Lembro-me como se fosse hoje. 
Eu me sentia zonza, e parecia que eu havia injetado adrenalina no meu sangue, mal sabia que o que eu tinha injetado era algo que me matava aos poucos. Estava andando em direção a pequena loja de minha tia, iria roubá-la. As ruas vazias à meia-noite. Quando estou prestes a cometer o maior erro da minha vida, ouço uma voz que nem perdendo a memória eu esqueceria, era Fred.
- Bia- ele gritava desesperado- o que vai fazer?
-Vá embora Fred! Esqueça que eu existo.
-Bia, não faz isso- ele chegou perto, firmou suas mãos em meus braços- você não quer fazer isso. Agora, olhe nos meus olhos e me diga; você ainda quer roubar a sua tia?
Eu chorava muito e ele me abraçou. Foi tudo o que eu precisei naquele instante, um abraço. E Fred me levou para casa, a dele. Eu não tenho uma, minha mãe me expulsou dela depois que eu mesma fugi. 
Fred cuidou de mim quando eu mesma já havia me deixado, quando eu já havia me esquecido. Então me diga, que categoria eu daria a ele? De namorado? Mas Fred é tão mais que isso. Melhor amigo? Acho que até esses nos deixam quando nós nos largamos. Irmão? Se minha mãe me deixou, meu irmão então!
Por isso acho que Fred é um alguém. Um alguém do qual um nome não define, fórmulas não explicam, realidade não determina. Um alguém anormal. Um alguém que eu amo, necessito. Talvez possa dizer que Fred é minha vida, pois sem ele eu não teria mais uma. Então, quando me perguntarem: Quem é você? Responderei: O reflexo de Fred!