domingo, 13 de fevereiro de 2011

Vamos Fugir?

  
 
  Eu estava no trabalho em mais um dia chato e corrido, com uma dor de cabeça infernal. Muita gente correndo de um lado pro outro. Telefone tocando sem parar. Muitos papéis pela mesa e eu procurando apenas um que meu chefe extressado já pedira pela terceira vez.
     Passei o olho por toda minha mesa, uma bagunça que só me deixava mais intediada naquele ambiente diário. No canto da mesa estava algo que eu não havia colocado lá, ou pelo menos não lembrava ter colocado, com tanta coisa na cabeça.
     Era uma única rosa dentro de um pequeno jarro de vidro com água até a metade. Não, eu não à coloquei ali, nunca tinha visto uma rosa tão linda igual aquela, se tivesse a visto antes não teria esquecido com tanta facilidade.
     Tinha um pequeno pedaço de papel em baixo do jarro. Apenas um pequeno papel comum e simplório, mas que acarretou uma curiosidade (a)normal. Estava dobrado apenas na metade. Abri-o.
Vamos fugir?

     Dei risada e depois disfarcei. Sensações estranhas percorreram meu corpo ao ler essas duas palavras, tão ingênuas de início. Era o que eu realmente queria fazer nesse momento, nesses dias de rotina sem sentido. Eu sabia agora quem havia deixado aquela rosa ali, com aquelas letras inconfundíveis.
     Foi ele, mesmo depois da briga da noite passada, como todas as noites em que eu chegava estressada por causa do trabalho. Foi ele, mesmo com as ofensas horríveis que direcionei a seus ouvidos, tão inocentes.
     Nesse momento não sabia se ficava feliz por ele não estar chateado comigo, ou se me sentia culpada por ter sido injusta e solipsa com a pessoa que mais amo.
     Ouvi uma buzinha insistente vindo da rua, olhei pelo vidro da janela, meu coração chegou na boca em segundos, era ele. Sorrindo como sempre, de um jeito que fazia minha pulsação se desgovernar por inteira, olhava pra mim com aqueles olhos vibrantes. Pegou algo dentro do carro, era um cartaz.

Foge comigo amor?

     Dei um sorriso de criança que conquista o brinquedo desejado, olhando fixadamente pra ele da janela do quinto andar, numa folha de ofício escrevi:


Está maluco?

     Ele deu uma risada maliciosa e começou a escrever algo no verso do cartaz.

Por você! 
O que está esperando?

     Ele estava falando mesmo sério? Eu nem sabia o que pensar no momento. Como posso largar tudo assim do nada. Agora ele está tirando alguma coisa do paletó. São duas passagens que ele sacode com um meio sorriso, que me derrete toda. Escrevi de novo numa outra folha.

Está falando sério?

     Agora ele fuça todo o seu carro, procurando mas alguma coisa onde possa escrever. Achou uma folha de caderno amassada, que eu mesma havia jogado e escreveu.

Sim, estou!
Vamos logo amor?
(virou) 
Esta é minha última folha! 

  E agora? O que eu faço? Como posso largar tudo assim, a vida que eu construir?
    - Lannah, cadê meu documento?- gritou meu chefe furioso!
    - Se estar com tanta pressa, porque não procura você mesmo?- respondi num surto de adrenalina.
    - Como é que é?- Perguntou indgnado saindo da sala e me olhando furioso. Nesse momento todos olhavam pra mim. E uma coisa possuiu meu corpo, e eu agradeço muito a esse espírito libertador!
    - Isso mesmo. Estou me demitindo. Pode começar a procurar a porcaria do seu papel.
    Saí correndo pelas escadas. Coração pulsando a mais de mil. Adrenalina no sangue. Doce sensação de liberdade. Cheguei na porta e parei com a respiração ofegante, olhei pra ele e gritei:

    - Sim meu amor, eu fujo com você! 

   E corri para abraçá-lo e o resto do mundo sumiu naquele momento.