terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O caminho era o mesmo, ela não mais.


   Foi numa tarde, como qualquer outra. A rua era a mesma, o sol brilhava do mesmo jeito, estava lá o velho lago, ela andava na mesma bicicleta, só ela que já não era mais a mesma. Pelo menos não na volta!
   Toda tarde como de costume ela ia pra casa dele, ria muito comendo pipoca e assistindo filmes junto com ele e alguns primos que já sabiam a hora exata de ir “encher o saco”.
   Mas naquela tarde não foi assim, e ela nem previa o que estava pra acontecer. Pegou sua bicicleta, saiu pelo mesmo caminho que percorria toda tarde.
   Chegou ao seu destino final, fitou a velha casa onde passara todas suas tardes durante três anos e meio. Algo apertava seu coração olhando aquela estrutura que guardava inúmeras lembranças da vida feliz que ela leva(va) ao lado dele, da pessoa que a tirou de seus dias vazios.
   Achou estranho o fato dos primos dele ainda não terem chegado, já que hoje ela havia se atrasado.Entrou na casa, não parecia haver ninguém. Chamou o nome dele, uma, duas, três vezes. Só na terceira vez ele respondeu, com uma voz presa.
   - Estou aqui.
   - Onde?- ela perguntou confusa.
   - Bem aqui, atrás de você.
   Ela se assustou com aquela voz gélida dele, bem atrás dela.
   - Aconteceu alguma coisa?- ela perguntou. Depois de alguns segundos parado, fitando-a com olhos pesados, ele respondeu.
   - Sim. Aconteceu algo que eu preciso contar-lhe. Algo que talvez você não entenda agora, mas quem sabe um dia.
   - O... - ela engasgou- quê?- perguntou temendo a resposta.
   - Não posso- ele fez uma pausa- mais ficar com você, eu não posso.
   - Como assim?- ela ficou agitada- o que você está dizendo? Você está brincando não é? Isso é uma brincadeira? Não teve graça- Ela se aproximou pra beijá-lo. Ele se afastou.
   - Tente me entender- seus olhos disfarçavam algo, que ela não compreendia.
   - Como?- disse sacudindo a cabeça, já deixando cair uma lágrima.
   Ele tentou falar, mas se calou ao ver que não conseguiria explicar de uma forma que ela entendesse e que ele pudesse. Ela então saiu correndo, ele quis pegá-la quando ela virou as costas, mas sua mão não a alcançou e ele apenas ficou parado, extasiado dentro de si mesmo.
   Na sua volta pra casa agora viu todas as coisas como um monte de lembranças felizes, mas que não a faziam sentir essa tal felicidade, ao contrário, aquilo fazia seu coração sofrer pulsações estranhas e doloridas.
   O caminho era o mesmo, mas ela não mais!