segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Um encontro;

     Ja fazia uma semana que havia acontecido, já não deveria mais doer tanto, ela não podia mais continuar chorando desse jeito. Andando feito louca pelas ruas á procura de alguém que mal conhecia. Ela sabia que era loucura, mas algo mais forte que ela não a deixava parar. Não, ela não podia parar.
     Como todos os dias, há uma semana, ela dedicava suas tardes a procurá-lo, ela precisava fazer isso, não podia ficar parada fingindo que nada aconteceu. Andava pelas ruas pedindo informações, qualquer coisa que pudesse ajudá-la.
      Todas as suas tentativas foram falhas, e ela chorava toda vez que pensava nisso. Chorava como se as lágrimas pudessem trazê-lo de volta. Depois de tanto andar pelas ruas, decidiu ir a um lugar onde não teve coragem de ir nesses últimos dias, desde o que acontecera na semana passada.
     Com passos lentos e o coração arrasado, foi até o antigo carrossel da cidade. Sentiu mil facadas no peito ao olhar pra ele e sentiu suas pernas tremerem. Todo o seu corpo sofria reações estranhas ao olhar aquele carrossel e ela queria correr, mas não encontrava forças. Sentou-se então no único banco que havia por perto e ficou a olhar para as lembranças daquele dia dentro de sua memória, que insistia em não esquecer.
     Lembrou de cada detalhe. Foi tão rápido, mas deixou uma marca profunda, tão dolorosa!
     Ela havia decidido que voltaria ao carrossel, a extamente uma semana atrás, não podia deixar os traumas da infância a perseguirem pra sempre. Sim, ela tinha um trauma. A seis anos atrás foi sequestrada naquele mesmo carrossel e viveu três dias de medo e angústia, os piores dias de sua vida.
     Então voltou, porque aqueles fantasmas não poderiam ficar dentro dela pra sempre. Se livrou de um trauma, mas não da dor que agora sente.
     Ela nunca o tinha visto antes, aquela foi a primeira vez, justo quando ela estava indo se livrar de seus fantasmas. Ele percebeu que ela estava nervosa, e pensou que aquela era a primeira vez em que ela subia em um carrossel. Se aproximou.
     - Venha- disse segurando-a pela mão e provocando um pequeno susto- Desculpa, não foi minha intenção assustá-la. Deixe-me ajudá-la.
     Ela não disse nada, apenas sentou-se prómixa a ele. Seu coração teve reações estranhas naquele momento. E aqueles cinco minutos girando no carrossel com ele, foram os mais felizes de sua vida. Mas de repente um amigo dele o puxa apressado e ele sai sem nem conseguir despedir-se dela. Nem o nome dele ela sabia, nada. Só sabia que precisava encontrá-lo.
     Sentiu naquele momento, sentada naquele banco, algo encomodar sua perna. Se afasta e ver uma folha dobrada e esprimida entre duas talbas do banco. Tirou e leu aquelas palavras.
  
Para a garota desconhecida.

Nem sei por que estou escrevendo isso. 
Não sei quem estará lendo essa confissão agora, mas preciso falar.
Há uma semana encontrei uma garota nesse carrossel.
E desde então a tenho procurado desesperadamente,
mas nenhuma tentativa me levou a ela, 
eu nem sei seu nome.
Mas sinto dentro de mim que preciso encontrá-la.
Deposito minha esperança nesse papel.
Quem sabe ela também não esteja procurando por mim.
Quem sabe ela não encontre essas palavras e
salve meu coração desse desespero.

     Nesse momento sentiu um nó na garganta, ela sabia que era ele. Ela tinha finalmente uma pista de que ele era real agora. Virou o papel, e eis que havia mais algo escrito:

Rua Cruz das Almas, 23.
Estarei á espera de que ela apareça.



        - Pauta para o Bloínquês, 55ª edição visual.