quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Arames Farpados;







Tinha algo dentro dela
Cheio demais, pesado demais,
E que também incomodava demais
Mas ela precisava guardá-lo lá.

Chorava sentindo aquele peso
Estava coberta de arames farpados,
Matinha a sete chaves aquele segredo
Que só a ela pertencia, desolado.

Queria fugir pra longe de si mesma
Mas não se foge de lembranças,
Nem se da vida a rosas já secas
Ela sabia disso há muito tempo.

Guardava pra si, só pra seu coração
Guardava com lágrimas, a sete chaves,
Não queria, não podia que ninguém soubesse
Tamanha loucura que com dor guardaste.

Um amor repleto de dores abstratas
Um amor que foi desprezado no passado,
Hoje chora se condenando culpada
Pela morte daquele que não foi amado.

Hoje ama em segredo, em tempo errado
Guarda esse amor junto com a lembrança,
Lembrança daquele dia pesado
Do suicídio de quem agora ela ama.

Leu aos prantos uma carta
Que hoje atormenta seus dias,
Leu tremendo com a pele pálida
Aquelas palavras tão frias.

Meu amor hoje eu estou partindo
Pois só assim te esquecerei,
Estou cumprindo minha promessa
Mas eu sempre te amarei.

                                                             - Pauta para o Bloínquês- 26ª edição poemas.