sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Insônia


Sete da noite e ela já na cama, tentativa em vão de uma noite tranquila. Roupas no chão, casa vazia. Súbitas lembranças chegam a cabeça, lágrimas no rosto. E ela começa a despejar em seus ouvidos, aquelas músicas novamente.
Início de dia, pálpebras fechadas e ela sem força de abri-las. Noite sombria, corpo cansado, maldita insônia! Ás vezes ela se perguntava, como havia chegado aquele ponto. Em todas as hipóteses, ela sempre se culpava. Mal sabia de sua total inocência nesse crime, que só a ela machucou.
Senta-se na cama, ainda tomada de um medo absoluto de abrir os olhos. Há tempos já não se olha mais no espelho. Há muito tempo já não sai mais de casa.
Cansou de ouvir de seu próprio eco que vai mudar. Depositou sua esperança em suas próprias mentiras. Se perdeu dentro de si mesma, de seu mundo fechado e sombrio. 
Telefone toca e ela nem cogita a possibilidade de atender. Imagina ser um de seus amigos, que ela á tempos já perdeu o contato.
Ao som insuportável do telefone ela se levanta, lava o rosto. Logo a cima seu inimigo mortal. Aos poucos, tomada por um surto de coragem, decide enfrentar a si mesma. Ela se olha no espelho.
Tão sincero, tão realista. Ela sempre o evitava, porque fugia da verdade o tempo todo.
Hoje ele mostrava as marcas das noites mal dormidas. E ela já não se reconhecia mais. Sabia desde o início o risco que corria, sendo um passarinho frágil na boca de um leão, mas mesmo assim o leão a encantou!