domingo, 20 de março de 2011

O espelho quebrado

Enquanto eu mergulhava dentro dessa água quente,
Eu sentia que aquilo tudo nunca passou de meras palavras.
Desrespeitamos nossos sentidos e hoje eles gritam para nosso silêncio.
E por mais que você olhe no espelho e diga a si mesmo:
Nunca deixei de ser eu!
Ele te devolverá palavras desrespeitadas como lição:
Não, não és. Deixou de ser quando proferiu sua alma distorcida.
E por isso nem enfrento meu reflexo mais, se é que eu ainda o tenho.
Acusamos demais o tempo, e ele deve estar se queixando disso agora.
Apontamos nossos dedos para o infinito, mas a verdade é que eles deveriam virar-se para nossos próprios ecos.
Perdemo-nos dentro de nossas dúvidas e elas nos engoliram para lugares distantes.
E desmanchamo-nos nessas águas quentes que hoje passeiam em nossa face, nos provando que tomamos decisões iníquas as nossas almas.
Ferimo-nos com armas de fogo e agora as cicatrizes levaram nosso amor ao coma profundo. Talvez ele morra. Mas meu inconsciente ainda se lembrará de você enquanto os aparelhos mantiverem esse nosso amor respirando.
Talvez um dia, quando nossa boca proferir as palavras corretas, possamos trazer-nos de volta para o espelho e talvez possamos nos tornar em nós mesmos de novo. E assim o medo que sinto possa também ir embora. E eu colarei o espelho novamente. Ele me mostrará uma alma rachada, mas ela será novamente minha e eu voltarei a ser realmente eu. Pois só posso me ter, quando você está dentro de mim. Caso contrário o reflexo que ali aparece estará distorcido, oco.


Dedico a minha amiga Any do blog Idiossincrasias.