quarta-feira, 16 de março de 2011

O destino amarra novamente o laço


Olhos atentaram-se nervosos
Mãos mexiam-se trêmulas
Corpo parou extasiado
Demasiado momento do destino
Personagem infame em sua visão

Encarava-o com olhar perfurante
Mágoa ardia feroz no peito
Saudade doía gritante do outro lado
Que queria abraçar desesperadamente
Pernas corriam mesmo paradas no êxtase.

O homem parado reagia estranho
Não falava e nem se movimentava
Encarava com olhos de piedade
O passado revirava-se em ambos
Borboletas sólidas gritavam no estômago.

Olhares ininterruptos subjugavam-se
Subjetividade alheia a pertencia impetuosa
Não se escolhe o amor imensurável
Mas se conquista a confiança indispensável
Tal qual foi ferida, despedaçada.

Deu passos lentos em direção ao iníquo
Presença forte em seu passado juvenil
Expressão frágil e desesperada à sua frente
Via-se presa no abismo da escolha
Estendes a mão oferecendo o perdão
Ou o merecido retorno do abandono?

Mãos cálidas mexiam-se velozes
Cabeça baixa, ele encarava aquele chão
Ouvia os passos chegarem perto
Na velha face uma lágrima de solidão
Sabia que as palavras poderiam surgir ácidas.

Ela aproximou-se silenciosa e quieta
Como brisa suave em folhas já secas
Expressão sólida de mãos suaves sobre rugas
Disse carente pelos lábios de emoção:
Papai o senhor desmanchou a confiança
Mas hoje te dou o meu perdão.

-Pauta para o Bloínquês-30ª Edição Poemas.