terça-feira, 1 de março de 2011

Fraqueza


Estava sentado na cama. Expressão de frieza em seu rosto, mas por dentro sentia seu coração sendo arrastado, a quilômetros daqui. Perfurava mais aquela dor quando ele se lembrava da despedida. Ela chorou, mas estava partindo com outro, deixando o velho (amigo) para trás. Como seriam seus dias agora, sem ela?
Ele engolia em seco ao pensar em possíveis respostas. Sentia-se culpado por tê-la deixado partir, com um cara que ela mal conhecia. Fugiu, porque queria construir sua vida em outra cidade, que não essa tão pequena para seus sonhos. Encontrou em outro e não nele a coragem para partir.
Só ele sabia o terremoto que tinha se instalado em seu interior, porque por fora todos os viam do mesmo jeito. Ele continuava a ser o velho Clark de sempre. Tinha que se manter assim, essa foi à condição que ele se impôs: Jamais se demonstrar fraco, mesmo que essa fraqueza o destrua por dentro. Telefone tocou nesse instante.
- Alô- disse com voz neutra.
-Clark- uma voz chorava do outro lado da linha. Era ela.
-O que aconteceu?- perguntou apreensivo, reconhecendo a voz.
-Vem me buscar?- ela implorava desesperada.
-Te buscar?- ele perguntou surpreso e confuso.
-Por favor? Tem que ser rápido. Clark... – ela disse desesperada.
Ele apanhou um pedaço de papel e escreveu rapidamente o nome e o telefone do hotel em que ela estava.
-Estou indo para aí agora- ele disse apressado.
-Preciso de você aqui- ela desligou.
Desesperado, mal conseguia colocar a chaves no carro. Pela primeira vez ultrapassava o limite de velocidade. O local era perto, ela ainda não tinha saído da cidade.
Chegou ao hotel, desesperado correu para a recepcionista que estava ao telefone rindo.
-Moça, eu preciso de uma informação- disse apressado.
-Não está vendo, estou ocupada agora- disse mal-humorada.
-Eu acho melhor você me dar à droga dessa informação, ou eu vou sair incomodando cada hóspede dessa porcaria de hotel- ele se surpreendeu com o que acabou de dizer.
-Está bem- a recepcionista disse inquieta- o que quer saber?
-O quarto de Lisa Mongóih, por favor.
-Não tem ninguém hospedado com esse nome aqui.
-Então olha Pedro Charles.
-Ah sim, quarto nº 203. O que deseja?
Ele apenas correu.
- Não pode sair assim- a recepcionista gritou. Mas já era tarde.
Já próximo ao décimo segundo andar, ouviu os gritos de Lisa. Como ninguém ainda não tinha socorrido-a? Corria o máximo que podia. Chegou ao quarto, deu um chute na porta. Avançou em cima de Pedro. Socou-o com toda força que tinha. Lisa chorava.
-Da próxima vez que você chegar perto dela, eu juro que não vai sobrar um só dente nessa sua boca- disse com olhos vermelhos de raiva.
Chegou perto de Lisa, abotoou a sua blusa. Deu um beijo em sua testa. A Abraçou forte.
-Nunca mais faça isso comigo- ele disse. Seus olhos sentiam uma dor e um alívio ao mesmo tempo.
-Nunca mais- ela disse- Só preciso de você agora. Só isso.
-Você sempre me teve.
E uma lágrima desceu pelo canto do olho de Clark, porque nesse momento ele percebeu que a maior fraqueza é sofrer calado, parado.




-Pauta parta o Bloínquês, 56ª Edição Conto-história
e 49ª Edição Opinativa.