segunda-feira, 8 de abril de 2013

Quebrando a Porcelana...


  

      Olho-me no espelho, como se isso fosse mudar quem sou. Como se todos aqueles que viraram as costas fossem olhar de voltar e pedir que eu segurasse em sua mão. Por muitas vezes esperei por uma mão, e só tive a minha própria, suando de medo e trêmulas de tanta insegurança.
    Mas hoje eu sei quem sou, e de quem posso fingir ser. Bonecas de porcelana se racham se caem ao chão, mas eu nunca fui uma boneca de porcelana, eu nunca fui aquele rostinho meigo, nem olhos assombrados. Na verdade, eu nunca fui a garota frágil que perseguia seus sonhos mais íntimos.
    E eu não me importarei se você arder em revolta ao ler essas palavras, porque você nunca teve coragem de abraçar e tocar a boneca de porcelana, talvez eu parecesse surreal demais para você. Pois eu estou aqui agora, gritando quem realmente sou, com meus ensaguentados defeitos que você nunca enxergou. Estou jogando-os em sua cara, então veja-os. Você poderia ter me tocado, me beijado, me abraçado... Eu não iria quebrar. Mas você sonhou demais, teve medo demais e agora estou fora de seu alcance, eu aprendi a segurar minhas próprias mãos.  


Despejando palavras...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A Perda



     Nos olhos algo ainda indecifrável, a cada vez que ela subia o rosto para deixar o orvalho da noite tocá-la. Mas a cabeça quase sempre estava baixa. Sentia um peso sobre os ombros, pernas, braços, pescoço, garganta... Sentia o fardo da inocência vista por muitos, mas que ela condenava como profana e cruel.
     As mãos quentes continuavam lá, a tocá-la, a cuidar, e a proteger... Do masoquismo ácido e doentio. Foi o que ficou, só o que restou... A chama forte que inflama olhos, garganta, estômago e a culpa. A culpa, essa que é a personagem principal de toda dor e desespero.
     A culpa que escorre por dois pares de olhos queimando a falta, a perda. Ela se afogava na própria angústia e ele sempre lá, mergulhando para salvá-la a cada afogamento que ela tinha em si mesma.  Ele sabia que das duas almas inocente, a que mais sofria era a mais digna de consolo do que a que partira sem o primeiro suspiro de vida.
     Mas a ela isso não justificava, sentia-se responsável e agora, sente-se incapaz. A pequena que ela aguardava se foi, como o vento a dissipar pequenos grãos de areia. E ela não pode segurá-la e protegê-la, como deveria. E ele, que também sofria pela perda da pequenina, sofre também pela ausência e dor que a quase mãe agarrou sozinha, como se fosse um castigo, uma punição.
     E era o quase que incomodava a ela... Essa partícula, palavra esmagadora. Ela queria era ser, não quase ser. Ela queria sentir o pequeno corpinho quente que carregou por oito meses dentro de si, que contou historinhas, que acariciou, que ouviu o papai cantando pertinho... E hoje, tudo isso não passou de um quase, e ela se afoga nele como se isso fosse aliviar sua dor.


-Para não perder a vontade de escrever um pouco mais... 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Coisa


     Chame essa coisa, sim, ela mesma! Chame algo que me empurre ou que me salve, no drama doce e sólido dessa indecisão sobre ser gente. Chame essa coisa sem nome, sem sobrenome. Essa coisa de identidade desconhecida, de chama quente e gélida. Chame essa contradição tão cheia de certeza. Foi essa coragem que o meu medo me trouxe e que me levou à fatalidade de ser gente.
     Traz depressa, essa pluma esvoaçante lá do alto. Chama esse negócio misterioso que o meu peito invade e neutraliza. Pega a parte sólida dessa coisa e a traga mais pra perto, quero preencher esse vazio alojado aqui por dentro.  Eu tenho urgência de sentir, de senti-la, de tocar...
     Quero rasgar esses soluços interrompidos, rasgar papéis já sem sentido, morrer de novo e nascer sem mais feridas.  Não quero mais andar descalça por ruas vazias, observar matrizes já se esvaindo, ainda que eu queira, é preciso mudar a tinta. Esse opaco todo já me desgasta, esta funerária interna que é tão sombria, foi só avesso que se exacerba.
     É um apelo, e é tão sincero...
     Traz essa coisa que eu tanto quero; razão de rosas perfumadas pelos cantos. Sobrevivência nesse pântano indiscreto, de vultos soltos espalhados, de faces molhadas por tanto pranto. Chama esse negócio desconhecido de uma vez, que ele venha e traga um pouco de felicidade, porque viver com um vazio é só viver pela metade.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Detalhes


Infinitos pensamentos vagos
Algo está passando por dentro
Arrastando metades, me desfazendo.
Pensamentos intrusos e corrosivos.

Algo está passando por mim
E mergulhando dentro do meu ego
Transformando minhas substâncias
Roubando minha realidade.

Um oásis de alegria transbordando
Eu me sinto rio a desaguar
Estou sendo invadida
E essa benevolência malevolente
Está inviabilizando minha razão.

Desconstruindo-me e renovando-me
Abraço mudo que tudo diz
O concreto e abstrato se misturam
A fórmula exata de um coração.

Antes dois... Agora um.
Antes só... Agora não mais.
Antes vazio... Agora completo.
Antes metade... Agora inteiro.

Olhar distraído vagando...
Ruas chuvosas, um encontro.
Meu pensamento em você.
Os cinco sentidos que te sentem tão bem.

A vontade de você
A necessidade de você
A saudade de você
Como se você já me fosse eu.

Você que é realidade
Já me foi sonho
Você que é meu presente
Também será futuro!

Um gesto, um jeito, um carinho
São motivos...
Motivos incertos e incalculáveis.
Está na essência, na fragilidade.


Como numa dança lenta
Ou uma melodia suave.
Como um dia ensolarado
Ou tardes em tempestades.

Você que eu sinto tão bem
Que se infiltrou em meus poros
Abrigou-se dentro do meu peito
E contraiu todos os meus músculos
Com a sua verdade, tão minha!

Você que me desmancha por inteira
Que me prende em seus laços
Que constrói novos passos.
Me reinventa,me molda, me acalenta.

Você que é contradição
Faz guerra e traz paz.
Baixa a cabeça, mas não solta minha mão.
Que entristece de tanta alegria.

Você que me faz nociva
Que me guarda por dentro,
Me toca por fora, me sente.
Você que me envolve, me enlaça.

Ah... Você!
Você é pequenos detalhes
E eu amo cada particularidade sua
Que faz de mim e de você um NÓS.

Esta poesia eu fiz especialmente para meu amor Júnior Vaz, espero que vocês tenham gostado.
Aproveitando para convidá-los a visitar o blog Pedacinhos do Céu, cheios de poemas tão lindos e leves de se ler.